13 de abril de 2016
Querido diário,
Estou bem cansada disso
tudo. Já estou há uma semana sendo abusada depois da aula. Jessica não percebe
nada e eu não consigo reunir forças para contar. Acho que Natan estava certa
mesmo, devo ser apenas uma putinha desajustada. Por que alguém acreditaria em
mim? Tenho que me conformar com a condição a qual fui exposta. Antes disso tudo
começar, sempre pensei que o sexo seria algo sublime, um momento para
compartilhar e guardar na memória. Agora, toda vez que penso no assunto, é
quase como se todo o sofrimento que passo viesse de uma vez. A falta de ar, o
rosto todo melado, aquele gosto ruim na boca e a tristeza de saber que, em
vinte e quatro horas, estarei novamente na mesma cama, na mesma posição,
sentindo minhas genitálias doerem e arderem fortemente.
Jessica acha que eu só
estou sofrendo com o que já aconteceu. Ela não está errada, mas culpa Rodrigo.
Não que ele não tenha culpa, afinal foi quem começou tudo, mas o lobo de
verdade é o que está junto com ela. Uma coisa que eu paro para pensar é: se
Natan quer tanto fazer sexo com alguém, por que não com Jessica? Eles já estão
juntos mesmo, acho até que ela gostaria. Chego à conclusão de que eu sou apenas
um objeto de masturbação. Ele me usa porque sabe que eu estarei ali no dia
seguinte, não vou cobrar presente de dia dos namorados e não vou fazê-lo gastar
com cinemas românticos. Nem com camisinha.
Não posso deixar de
sentir pena de Jessie. Sinto-me cada vez mais fraca por não ter o que dizer. Só
não tenho certeza de que ela acreditaria. De fato, para o mundo inteiro, quem
divulgou o meu vídeo com Rodrigo fui eu mesma. São pouquíssimas as pessoas que
acreditam na minha inocência. E se Jessica não fosse uma dessas pessoas? E se,
na cabeça dela, eu só estivesse precisando de atenção e tivesse atendido a um
impulso involuntário de uma garota que só quer ser vista e desejada? Não há
como saber. Não, a menos que eu pergunte. A menos que eu revele o que eu tenho
passado todas as noites quando saio do colégio. E se Jessica entrar em
depressão? E se ela começar a ficar quebrada por dentro, como eu?
De todas as pessoas que
me acolheram, Jessie é quem mais tem me dado forças para seguir em frente. Ela
me busca todos os dias em casa, me leva para o colégio, manda mensagens
sugerindo coisas para eu fazer em casa... Dicas de filmes, receitas culinárias,
poemas e crônicas... Ela de fato parece querer que eu fique bem. Eu gostaria
muito de ficar bem, por ela. Gostaria de acordar um dia e chamá-la para tomar
um sorvete, como costumávamos fazer.
Eu devo ter estragado
tudo. Quis ser a primeira do grupo a transar com um garoto, mas acho que não
estava pronta. Deixei tantos erros acontecerem e agora vou pagar por cada um
deles. Minhas noites com Natan são o pagamento por todos os erros que eu fiz.
Nos dois primeiros dias, doía muito. Eu queria chorar sem parar. Já no terceiro
e no quarto, o simples fato de não doer, já me causava um certo alívio. Do
quinto em diante, eu acho que entrei num piloto automático. Eu deixo ele entrar
e sair e fazer o que quiser com meu corpo. Quando eu chego em casa, desabo e
choro. Não por mim, mas pela minha amiga. Sinto muito por tudo o que eu fiz
para ela.


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