06 de abril de 2016
Querido diário,
Eu preciso contar isso
para alguém. Só não sei o que fazer. Tomei coragem para ir na escola, mas agora
eu me sinto tão imunda e tão suja que não tenho mais forças para voltar para
aquele lugar. Eu só queria um pouquinho de paz na minha vida para variar.
Jessica insistiu muito
para que eu fosse à aula. Não aguentava mais ver meu irmão em casa falando de
mim ou minha Mãe olhando para mim como se eu não fosse mais a menininha que ela
costumava amar. Tudo parece tão errado dentro de casa... Eu não tenho mais onde
me esconder. Foi por isso que eu aceitei a oferta da Jessie. Um dia na escola, como
se nada daquilo tivesse acontecido. Como se Rodrigo e eu nunca tivéssemos
existido, como se metade da Tijuca já não tivesse me visto nua e gemendo. Estou
tentando me manter forte para as pessoas que ainda me dão apoio, mas está
evidente que eu estou falhando.
Quando cheguei na
escola, foi pior do que tudo o que eu já passei. Uma metade me olhava como se
dissesse “pensei que ela estava morta” e a outra metade pensava “queria que ela
morresse”. Eu ainda não tinha certeza de que lado era o meu. Foi quando chegou
esse Natan. Eu não estava muito no humor de conhecer pessoas novas, mas tinha
que fazer isso, pela minha amiga Jessie. Natan era um garoto que ela estava
apaixonadinha já há uns dois⁄ três meses. Eles ficaram, uma semana antes de eu
transar com Rodrigo. Estavam juntos e eu, como melhor amiga dela, tinha que ser
educada com ele.
A princípio ele parecia
um garoto muito legal, foi educado e teve a delicadeza de não tocar no Assunto.
Eu resolvi que daria uma chance para ele, tentaria ser amigável. Jessica adorou
o fato de nos darmos bem. Eu, para ser bem sincera, também gostei. Eles dois
cuidaram bem de mim durante o tempo que estive no colégio. Jessie sorria e
dizia que estava tudo bem, dizia que eu devia voltar a frequentar as aulas e
que não tinha nada de errado no que eu havia feito. Foi a única menção ao
assunto que tivemos. Ela prometeu que me buscaria em casa todos os dias e que
me deixaria em casa também. Que eu não estaria sozinha nunca.
Quis acreditar no que
ela disse. Prometi que voltaria no dia seguinte. Na hora da saída, Natan disse
que podia me levar em casa. Disse que, como morávamos perto, não seria nenhum
problema, que era melhor que Jessica fosse direto para casa e descansasse. Como
ele havia sido um cavalheiro durante toda a tarde, concordei. Minha amiga
realmente parecia cansada. E bem, foi aí que começou. Ele ficou calado a viagem
inteira para casa. Quando passamos na porta da casa dele, ele foi categórico:
“Entra.” Não desobedeci, não tinha forças para isso. Quando entramos na casa
dele, ele me beijou e tirou minha blusa. Eu gritei e perguntei por que ele
fazia isso. Bem... eu gravei a resposta dele: “Você é uma putinha. Você não tem
direito de reclamar. Se você não me chupar agora, eu farei da sua vida um
inferno. Vai ter fotos suas e vídeos seus em todos os lugares. E mais, ainda
direi a Jessica que você implorou para que eu fizesse sexo com você.” Eu chorei
e disse que ela nunca iria acreditar. Mas então ele me disse exatamente o que
eu estava pensando. “Em quem ela vai acreditar? No namorado carinhoso ou na
menina que colocou no próprio facebook um vídeo com o namorado? Você vai me
obedecer e vai me fazer gozar todo santo dia. Vamos voltar juntos e dar um pitstop no meu quarto. Você vai me
obedecer. Você é uma putinha. A minha putinha.”


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