15 de Junho de 2015.
Lembra que eu contei que, por pura insistência, eu acabei aceitando o convite de publicar o que escrevo pra você em um blog? Então, recebi um e-mail do editor chefe do Bistrô dois dias atrás me dizendo que mais uma pessoa iria participar. Enquanto éramos apenas eu e Olívia não dava pra ter certeza de onde ele queria chegar com esse projeto. Mas agora que li alguns capítulos do nosso novo "companheiro" eu meio que entendo. Nós três somos pessoas completamente diferentes. Ainda assim, pelo incrível que pareça, há algumas coisas em comum. Sentimentos humanos são limitados, o que acontece é que eles se manifestam de maneiras adversas em cada um. É assim que deve ser. E talvez o propósito desse projeto seja despertar nas pessoas a ideia de que qualquer vida é muito mais complexa e intensa do que pode parecer. Somos vidas aleatórias. No momento sou eu. Mas poderia ser outra pessoa. Poderia ser qualquer um. Porque toda vida tem experiências a serem compartilhadas. Não sei se eles pensam o mesmo, mas essa é a minha opinião. Descobri também essa sensação interessante de ler algo íntimo sobre a vida de pessoas que eu não conheço mas sei que existem. Sei que ,assim como o que eu escrevo aqui, são fragmentos da realidade na perspectiva de alguém.
Por falar nisso, aquela sua amiga de infância voltou pra cidade. É, a Maísa, aquela que foi sua melhor amiga por muito tempo até se mudar pra outro estado. Na verdade, eu só me lembro do rosto dela por causa das inúmeras fotos de vocês juntas. Estou passando por alguns problemas graves de memória. Eu penso tanto em certas coisas que não consigo me lembrar de outras. Não sei se isso faz parte da depressão ou se estou enlouquecendo de fato. Mas indo direto ao ponto, eu estava voltando da faculdade ontem quando vi que uma garota estava gritando com alguém no celular. Ela percebeu que estava gritando e pareceu envergonhada por alguns segundos segundos mas quando eu já estava perto sua expressão mudou e ela ficou uma cara de surpresa. Quase assustada, eu diria. Eu não parei de andar, mas nossos olhares ficaram fixos um no outro nesses momentos que duraram apenas o tempo de eu passar por ela. E eu tenho certeza de que ela me reconheceu tanto quanto eu a reconheci, mesmo que a gente nunca tenha conversado. De alguma maneira eu sei que era ela. Hoje de manhã eu abri o Facebook por um instante e adivinha? É, ela me adicionou e começamos a conversar. Está morando sozinha na cidade pra frequentar a faculdade. Ela sabe o que aconteceu mas não sabe como as coisas chegaram a esse ponto. A você que ela conheceu e a você que eu conheci são pessoas notavelmente diferentes. E eu ainda nem sei por onde começar a explicar isso.


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