sábado, 6 de junho de 2015

Capítulo 5: Um exílio para os sentimentos desolados.



22 de Outubro de 2014.

Dias como hoje são, dentre todos os dias ruins, os piores dias. Não porque sonhei com você, claro que não. Até porque é o jeito de eu ficar o mais próximo possível de você. Mas quando acordo é como se eu tivesse sido atropelado por um trem. Esmagando lentamente todos os átomos que carregam o meu nome. Eu mal consegui levantar da cama. Parecia que eu seria engolido pelo chão de tão pesado que o meu corpo ficou. E mesmo que um médico me pedisse pra apontar onde está doendo, eu não saberia. Acho que é onde fica o coração. Não o músculo, você sabe, aquela confusão de sentimentos que a gente tem em algum lugar abstrato. O amor ainda está aqui e eu apenas não sei o que fazer com ele. 

Eu queria poder enterra-lo em um baú no meu quintal, onde eu pudesse desenterrar e viver um pouquinho sempre que eu quisesse. Ou quem sabe escrevê-lo em um pedaço de papel, coloca-lo em uma garrafa e joga-lo ao mar. Alguém poderia encontra-lo e conserva-lo por mim. Com relação a tudo que é material, nós sabemos bem o que fazer quando perde a utilidade. Somos produtores exagerados de lixo. Mas e quanto aos sentimentos? O que a gente faz com eles? Eu não sei. E além de não saber, sinto que mesmo que eu soubesse eu não o faria. Porque seria como arrancar a força um pedaço de mim. Um pedaço importante. Estranho, não é? Eu não deveria viver em função disso, mas não é fácil quando seu rosto é a primeira e a última coisa que vem a cabeça todos os dias. Há dias assim em que isso tudo é tão difícil de entender quanto parece. Dias em que não consigo e nem quero conversar com ninguém. Tenho vergonha só de pensar que você pode estar me observando de algum lugar. Sinto vergonha do que eu me tornei. Bem, eu já vou indo. Preciso tentar dormir porque ainda será um longo dia. Com certeza ainda mais longo pra mim.

Capítulo 4                                                                                                                              Capítulo 6




Nenhum comentário:

Postar um comentário