quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Capítulo 22: Valho menos que um pedestal e uma garota ruim


20 de janeiro de 2012

Sabe de uma coisa, Norb? Eu estou cansada de brigar. Estou cansada de perder todas as pessoas e estou cansada de pessoas que não ligam a mínima para o que você sente.

Você bem sabe como ano passado foi uma tremenda bosta para mim. Se houvesse um ano que eu quereria apagar, dos 15 anos da minha existência, tenha certeza de que seria 2011.

Eu não preciso te contar sobre isso, você mesmo viu tudo o que eu passei. Todos os amigos que eu perdi, tudo o que desmoronou na minha vida. Até hoje, eu achei que tudo isso valia a pena, achei que tudo o que tinha acontecido tinha sido apenas um pretexto para que eu conhecesse pessoas maravilhosas como Katia, Felipe e, principalmente, o Guilherme. Esse maldito foi a única coisa que valeu a pena. Eu pensei que estivéssemos em acordo que iríamos melhorar a vida um do outro. Até hoje, tudo estava indo muito bem.

Acontece, Norb, que ontem foi o dia dele. Ele foi se apresentar em um teatro de verdade. Nossa! Como eu fiquei feliz de vê-lo lá em cima do palco. Ele arrebentou, meu caro diário. Só o que preciso dizer é que Renato Russo se orgulharia do que eu vi. Quando você vê um nerdizinho tosco, como o Guilherme, e descobre que ele vai cantar rock na frente de um coral, você imagina: “Nossa, vai ser um pateta qualquer com um microfone na mão, olhando para o nada.” Mas, com o Guilherme, as coisas não são simples assim. Ele realmente pode fazer florescer no concreto.

Foi uma explosão de sentimentos. Quando ele entrou no palco, eu fiquei com muito medo. Quando ele ficou de costas para o público, imaginei o quão apavorado ele devia estar. Então ele se virou. Norb, o maluco dançou com A PORRA DO PEDESTAL. Dá para acreditar nisso? Ok, cantou superdesafinado. Acho que deve ser difícil para um asmático de quarenta quilos cantar Tempo Perdido e ainda dançar de um lado para o outro. Eu fiquei maravilhada. Assim que ele acabou, eu corri para fora do teatro. Ia dar a volta para encontrá-lo e dar o maior abraço do mundo! Foi quando eu vi tudo.

Lá estava ela. Sim, Norb, ELA. A garota que ele diz tanto amar. E ela estava abraçando ele com o entusiasmo de uma medalhista de ouro. Estava ali, agarrada no pescoço dele e ele, rindo como um pateta. O que eu podia fazer? Como competir com aquilo? Vi que o Guilherme estava feliz e sorria como eu nunca o vi fazer. Ele parecia não precisar de mim para ser feliz e eu precisava tanto dele. Após o aluguel da mocinha, eu pude enfim dar os parabéns. Meu abraço pareceu tão pouco e tão pequeno depois do dela. Tenho a impressão de que ele deu dois tapinhas nas minhas costas como quem diz “Ok. Já tive o suficiente.”

Norb, como eu chorei. Na verdade eu ainda estou chorando. Não porque ele está feliz, mas porque ele não veio falar comigo desde então. Acho que o Guilherme é assim, só consegue ser feliz com uma pessoa de cada vez. Cheguei a ligar para ele, mas nada de atender. Eu não sei se eu consigo seguir em frente sem ele. Me sinto tão mal vendo que ele pode seguir sem mim. Eu sou uma pessoa ruim por causa disso? Eu deveria estar feliz porque ele finalmente conseguiu uma demonstração de afeto da garota de quem ele tanto gosta? Eu só... Eu sei que o lugar dele não é ao lado dela. O Guilherme merece alguém melhor. Alguém que não tenha destruído o coração dele nunca, jamais.

Eu acho que já nem sei o que eu estou falando. Acho que é hora de seguir o meu caminho sem ele. Olhar para a frente e esquecer o que passou. Espero que ele seja feliz, Norb. Eu só gostaria de ser feliz também.

Um dia.

Quem sabe?

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