quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Capítulo 16: Blackjack


30 de setembro de 2025

Maurício escreveu várias dessas páginas. A cada vez que reviro os pertences dele, eu acho mais e mais textos como o que vou transcrever hoje. O início dessa página pareceu interessante, e vou transcrever para cá. Espero que seja relevante.

"Olá, caderninho.

Hoje é meu aniversário de 21 anos. E cara... Passou MUITO rápido.
Tá, definitivamente não passou rápido. Na verdade, essa última parte da minha adolescência foi uma das partes mais longas da minha vida, nunca pensei que fosse passar.
Passei por muitas dificuldades (você sabe da maioria) e cara, acredito em carma. Acho que sofri tanto que em breve serei recompensado com algo incrível. Sabe, como se a montanha russa tivesse descido tanto que agora, com o impulso todo que tomou, a próxima parte seja um looping ou uma enorme rampa para cima.
E olha, demora muito para a parte boa da minha vida chegar. Sabia, por exemplo, que eu nunca namorei? Pois é, tenho 21 anos e nunca namorei com ninguém. Claro, tiveram aquelas INÚMERAS vezes com a dona mãozinha, mas isso não conta. Estou falando de pessoas de verdade (nada contra vidas virtuais). Olha, cara... Eu perdi muita coisa na minha vida, e está cada vez sendo ainda não difícil de acreditar que o carma exista de fato. Sabe, às vezes sinto vontade de agarrar meus prêmios com as minhas próprias mãos. Acho que o que falta na minha vida é felicidade, e talvez essa felicidade me falte por estar na vida de outra pessoa. Lembra daquela vez em que eu trabalhei por um tempo em um blog? Tudo que eu escrevia em você ia parar lá. Lembra também que naquele projeto específico do blog trabalhavam mais duas pessoas? Uma delas era o Uriel. O cara parecia estar passando por uma espécie de luto misturado com a aceitação de uma realidade depressiva. Agora tomemos ele como exemplo.
Se o Uriel tivesse parado por um momento e simplesmente ignorasse todos seus conceitos de certo e errado para agarrar seus sonhos com as unhas, talvez ele tivesse capítulos mais felizes. Talvez a técnica esteja em pegar a felicidade para si, já que os outros vivem tendo elas nas vidas deles. Quem sabe o verdadeiro truque seja não ficar com a consciência pesada no final para aproveitar ao máximo suas conquistas sem se preocupar com o mal que fez aos outros. Afinal de contas, a vida é sua e é você quem provavelmente vai morrer triste e miserável se não correr atrás do que quer. É simplesmente correr atrás do que quer parece ser a opção certa, mas várias outras pessoas também estão nessas corridas, te estapeando e jogando você para trás. Por que não pode simplesmente ser a sua vez de pisar em todos?
CARA, EU TENHO 21 ANOS E NUNCA TIVE UM MOMENTO DE EXTREMA FELICIDADE, o que me impede de roubar daqueles que me privaram disso? Não seria um "roubo", seria uma reaquisição por direito!
Sem falar da Olívia. LEMBRA DA OLÍVIA? Pois é, me esbarrei com ela um dia desses, ou sei lá, com alguém que parecia muito com ela. Não chegamos a conversar, só literalmente nos esbarramos. E cara, a maldita está LINDA! Isso me lembra de várias situações em que passei por mulheres lindas que pareciam se interessar por mim, mas nunca fiz nada e ficou por isso. E se eu tivesse corrido atrás? Posso passar a fazer diferente agora. O grande problema é achar o limite. Como vou saber quando "correr atrás" vira "perseguir"? Terei que ir pelo meu conceito, e isso me preocupa.

Está decidido. Quase um quarto da minha vida já passou e mal me diverti. A partir de agora vou atrás dos meus prêmios. Vou espremer cada fruta cítrica que está pendurada na árvore da vida, independente de qual seja o galho."

Capítulo 15                                                                                                                           Capítulo 17


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