19 de junho de 2015
Vida merda. Tempo
merda. Prova de cálculo pela manhã. E nenhum sinal do meu herói perdido. Sabe,
Norberto, quando eu era pequena, quando eu te conheci e a minha vida era
baseada em bonecas e banhos de mangueira, eu imaginava minha vida aos 19 anos.
Nunca imaginei que estaria uma sexta-feira escrevendo para um diário sobre como
a vida é uma merda. Eu não sou chata assim, Norb. Sou?
Antigamente eu gostava
de chuva. O friozinho até que é bem legal. É só que... Eu não queria ter sido
salva por aquele garoto. Queria que meu braço gangrenasse naquele dia e caísse
de podre. Tudo para ele não me salvar e eu não ter conhecido ele. Ou quem sabe
se fosse uma velha, mas uma velha daquelas bem horrorosas, das quais você não
quer nem aceitar uma bala com medo de que seja a bruxa do João e Maria, sabe? Qualquer
ser humano, menos o tal garoto. Eu não gosto de me apaixonar. Menos ainda por
alguém que eu não vejo. É drama em dobro. Primeiro, você não sabe se a pessoa
sente o mesmo por você. Depois, você não vê a pessoa, então como você vai
saber?
Cheguei a pensar em
pedir ajuda para meus amigos. Mas para quem eu vou pedir? Todos os meus amigos
ou já estão namorando ou estão na mesma merda que eu. Pedir ajuda para alguém
que também está apaixonado é uma bosta. Porque ou a pessoa vai estar tão feliz
que vai te convencer de que a vida é linda ou ela vai estar tão deprimida que
vai te arrastar para o limbo junto com ela. Ou a terceira opção é o Guilherme.
Esse é uma roleta russa, pode ser limbo ou pode ser alegria eterna. Incerteza
por incerteza, prefiro ficar quieta.
Minha vida seria mais
fácil se eu fosse menos apaixonada. Ou se eu pudesse escolher. Sinceramente,
Norb, eu só teria que escolher me apaixonar pela pessoa certa. E tudo se
resolveria. No fim das contas, é só para você que eu posso contar os segredos.
Voltando ao assunto do início, o dia tá uma bosta [acho que eu daria uma ótima
garota do tempo] tá chovendo para cacete. Eu quero ficar em casa. Mas a porra
do Netflix só me sugere filme romântico. Cacete! Acho que vou ver um desses
filmes de criança, um que não fale de amor... Isso existe? Acho que não. Putz,
até Carros fala de amor. Que vida de
merda.
Tudo bem, você venceu,
vou terminar o dia comendo chocolate e enchendo a minha coxa com gordura
saturada. Quando eu estiver imensa de gorda, me fura com um alfinete e eu
explodo de vez. Quem sabe se eu explodir os meus problemas não acabam logo?


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