sábado, 20 de junho de 2015

Capítulo 7: Merda merda merda



19 de junho de 2015

Vida merda. Tempo merda. Prova de cálculo pela manhã. E nenhum sinal do meu herói perdido. Sabe, Norberto, quando eu era pequena, quando eu te conheci e a minha vida era baseada em bonecas e banhos de mangueira, eu imaginava minha vida aos 19 anos. Nunca imaginei que estaria uma sexta-feira escrevendo para um diário sobre como a vida é uma merda. Eu não sou chata assim, Norb. Sou?

Antigamente eu gostava de chuva. O friozinho até que é bem legal. É só que... Eu não queria ter sido salva por aquele garoto. Queria que meu braço gangrenasse naquele dia e caísse de podre. Tudo para ele não me salvar e eu não ter conhecido ele. Ou quem sabe se fosse uma velha, mas uma velha daquelas bem horrorosas, das quais você não quer nem aceitar uma bala com medo de que seja a bruxa do João e Maria, sabe? Qualquer ser humano, menos o tal garoto. Eu não gosto de me apaixonar. Menos ainda por alguém que eu não vejo. É drama em dobro. Primeiro, você não sabe se a pessoa sente o mesmo por você. Depois, você não vê a pessoa, então como você vai saber?

Cheguei a pensar em pedir ajuda para meus amigos. Mas para quem eu vou pedir? Todos os meus amigos ou já estão namorando ou estão na mesma merda que eu. Pedir ajuda para alguém que também está apaixonado é uma bosta. Porque ou a pessoa vai estar tão feliz que vai te convencer de que a vida é linda ou ela vai estar tão deprimida que vai te arrastar para o limbo junto com ela. Ou a terceira opção é o Guilherme. Esse é uma roleta russa, pode ser limbo ou pode ser alegria eterna. Incerteza por incerteza, prefiro ficar quieta.

Minha vida seria mais fácil se eu fosse menos apaixonada. Ou se eu pudesse escolher. Sinceramente, Norb, eu só teria que escolher me apaixonar pela pessoa certa. E tudo se resolveria. No fim das contas, é só para você que eu posso contar os segredos. Voltando ao assunto do início, o dia tá uma bosta [acho que eu daria uma ótima garota do tempo] tá chovendo para cacete. Eu quero ficar em casa. Mas a porra do Netflix só me sugere filme romântico. Cacete! Acho que vou ver um desses filmes de criança, um que não fale de amor... Isso existe? Acho que não. Putz, até Carros fala de amor. Que vida de merda.

Tudo bem, você venceu, vou terminar o dia comendo chocolate e enchendo a minha coxa com gordura saturada. Quando eu estiver imensa de gorda, me fura com um alfinete e eu explodo de vez. Quem sabe se eu explodir os meus problemas não acabam logo?

Capítulo 6                                                                                                                              Capítulo 8


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