quarta-feira, 3 de junho de 2015

Capítulo 6: Irmão



03 de junho de 2015.


Olá, caderninho.

Sabe, você é meu amigo... E é meu amigo há mais tempo do que qualquer um já foi. Então eu acho que já é hora de falar mais um pouco sobre mim. Vou ser bem direto, sem enrolar, já que esse assunto é um pouco mais sério. Bem... Lá vai.

Moro com meus dois pais. O nome do meu pai é Betto, e o nome da minha mãe é Lúcia. Moro também com a Sophia, ela é minha irmã mais nova e tem 14 anos. Tento ensinar sempre para ela todas as condutas de um louco, para que ela seja a ruiva de 18 anos mais louca desse mundo quando chegar na idade. Quem sabe ela bate o meu recorde de ruivo doidão e rouba o título. Também tive um irmão gêmeo chamado Chris. Ele morreu no ano passado, baleado por um assaltante que sem querer disparou a arma enquanto dava uma coronhada na nuca de um sujeito no outro lado da rua. Todos nós sofremos muito com a perda dele.

Sabe... Soph tenta fingir que está bem, e continua sendo a mesma palhaça de sempre (ela aprendeu isso comigo), mas é difícil. Sabe, tudo que eu fazia era acompanhado do meu irmão. Nós cuidávamos da Soph juntos, e fazíamos isso muito bem. Nosso pai é advogado e nossa mãe é publicitária, então eles quase nunca param em casa. Tem vezes em que eles até passam a semana toda fora. Mas isso nunca foi um problema dos grandes, eu e o Chris dávamos uma de pais e cuidávamos da Soph.

Desde que Chris partiu, as coisas tem sido diferentes. Soph amadureceu quase que instantaneamente, como se o fardo de responsabilidade tivesse passado para ela. Ela passou até a cozinhar e cuidar da casa, como se não estivesse fazendo nada demais. Eu faço o mesmo, é claro, mas não mais com a mesma frequência. Ontem eu pude ouvir choros vindos do quarto da Soph, mas quando fui ver o que era, ela fingiu estar dormindo. Eu me preocupo muito com a minha irmã, não quero que ela sofra assim. Está difícil, e muito, mas é só mais um peso para mim, devo conseguir aguentar (tenho que conseguir). Mesmo o jeito todo depressivo e apático do Chris faz falta. Ele era todo dark e frio, mas ele sabia interagir com a gente. Eramos como Yin e Yang, nos dávamos tão bem. Eu nem pude dar tchau para ele. E sendo ateu da forma que ele era, creio que ele também tenha se arrependido de não dar tchau, ao menos no último segundo. Sentimos muita falta dele, e eu não sei mais o que falar sobre isso. Me desculpe por isso, caderninho, mas estou começando a ficar triste e por algum motivo acho que estou ouvindo a Soph chorar no quarto dela. Espero que ela só esteja rindo de um áudio qualquer no Whatsapp. Tenho que ir, e mais uma vez, me desculpe.

Ginger kisses for you.
Fui.

Capítulo 5                                                                                                                              Capítulo 7


2 comentários: