quarta-feira, 27 de maio de 2015

Capítulo 5: Eu acho que vi um gatinho


05 de junho de 2015

Então Norberto, você nem vai acreditar no que aconteceu comigo hoje. Na verdade vai sim. Já ouviu tanto absurdo vindo de mim que um a mais um a menos não vai fazer a menor diferença. Lá vai: Sofri um acidente. Não é um acidente sentimental. Nem é exagero meu. Eu cai da bicicleta quando voltava do curso de francês. Mal andei um quarteirão e fui desviar de um gatinho (um animal felino e não um garoto bonito) acabei caindo no asfalto e abri o cotovelo. Pois é, um drama.

Foi instantâneo, mal eu cai, uma horda de pessoas veio prestar socorro. Não prestei atenção em nenhuma delas, só num garoto que apareceu logo em primeiro. Esse sim era um gatinho (não o que eu quase atropelei, esse era um garoto lindinho mesmo). Ele foi todo cuidadoso comigo, me ajudou a sentar, pegou o meu celular que tinha caído no chão, comprou uma garrafa de água, limpou um pouco do sangue e me fez companhia até a ambulância chegar.

Se não tivesse doído tanto, eu diria que era uma cena de cinema. A diferença é que... Bem, meu grito é muito mais alto e muito mais estridente do que os de Hollywood. Em compensação, esse garoto dava de dez nos Brad Pitts do cinema. Até porque eu nunca vi o Brad Pitt em pessoa, e acho que isso faz toda a diferença.

É... Eu devia saber o nome do meu herói, mas esqueci de perguntar. De modo que ele sabe meu nome e tudo o que precisava saber sobre mim. Norb, ELE SABE MEU TIPO SANGUÍNEO! Resumo: ele pode montar um dossiê sobre mim e eu só posso montar um doce mesmo, para comer enquanto lembro que fui uma idiota por não perguntar nem ao menos o nome dele. AI, QUE INFERNO!

Se eu tiver a chance de encontrar ele de novo, eu vou ter que pagar esse milagre. Doar meus livros, ouvir uma taurina reclamona ou não comer chocolate por um mês. Vai ser muita sorte se eu encontrar com ele de novo. Matematicamente [e eu tenho que pensar em números, já que é o meu objeto de estudo na faculdade] é uma chance em dez mil de eu encontrar novamente meu gato perdido. Ok, fato estranho: Acabei de pensar num felino ronronando. Não era disso que eu estava falando.

Ah, você entendeu Norb, não dificulta as coisas para mim. Meu braço ainda dói, mas deve ser psicológico. Antes o braço do que o coração. Afinal, Tadeu já está morto e enterrado, estou pronta para partir para minha história de verdade. Um conto de fadas que começou assim não pode terminar mal não é? A menos que meu braço gangrene e eu tenha que amputar, aí seria uma Frankstein ou Oliviastein. Arg! Tenho que lavar meu braço de novo.


Até mais. Beijinhos.

Capítulo 4                                                                                                                           Capítulo 6


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