quarta-feira, 22 de julho de 2015

Capítulo 10: Não venha aqui me pedir ajuda



31 de janeiro de 2015

Norb,
Me explica uma coisa: Por que as pessoas acham que podem confiar em mim? Por que acham que eu posso ajudá-las? Será que só tem retardado nesse mundo? Será que eu sou a pessoa menos retardada do planeta? Que eu era retardada eu sabia, agora, nunca imaginei que houvesse tantas pessoas mais retardadas do que eu. Retardadices a parte, lá vai.

Se lembra que o Guilherme escrevia num blog escroto chamado “Friendzone”? Pois é. Ele cismava que ele seria capaz de dar vida a um personagem. Idiotice. Eu sempre falei para ele... “Se toca garoto, você mal consegue escrever sobre a sua vida. Como você acha que iria conseguir inventar um personagem do nada e fingir que é ele? Como você espera escrever sobre a vida de uma pessoa que você nem conhece? Você tem que encarar a realidade. Você é um escritor-cocô, isso significa que você no máximo consegue escrever uma cartinha para suas paixonites. Inventar um personagem não é o seu forte.” Pois é. Ele não me ouviu na época. Fez a caceta do blog. Deu errado. Mas agora ele está com um blog novo, acho que já fez até um ano. Sei lá, não leio aquilo mesmo... O nome é Bistrô 33. Enfim, ele expandiu o blog e agora precisa de mim.

O Guilherme às vezes inventa de querer ajudar as pessoas. Ele inventa situações para forçar as pessoas a ficarem juntas e acha que é um cupido ambulante. Dessa vez, ele quer ajudar um garoto esquisito com nome de puta da Lapa... Uriel é o nome do infeliz. Cacete,  em menos de três horas já pensei em 500 piadas com esse nome, passando de o novo “Uriel líquido: limpa suas roupas e perfuma” até a imagem de um travecão balançando a benga e dizendo “Vem cá para o Uriel”. Eu sei, estou podre hoje. Até onde eu entendi, o maior problema desse garoto não é se chamar Uriel (o que me assustou muito, admito) o maior problema dele foi ter perdido a namorada⁄amante⁄esposa, até agora não entendi o que era essa garota...

O fato é que, eu fui recrutada para a iniciativa “Vidas Aleatórias” (ou isso é só uma maneira do Guilherme se sentir Nick Fury por um dia), um projeto escroto, onde eu vou... ajudar as pessoas a se reintegrarem a sociedade? Porra, até agora eu não entendi. Vou dizer da forma mais estúpida possível: vamos juntar alguns malucos e fazer com que eles divulguem sua estupidez para todo mundo rir da cara deles. Acho que é isso. Aparentemente, eu sou a terapeuta do grupo. Eu vou estimular essas pessoas a se abrirem para o mundo e isso ainda inclui eu ter que contar da minha vida para uma porrada de desconhecidos. Ah, Norb, por quê?

Falei para o Guilherme que ia contar histórias falsas na internet. Ele me repreendeu. Terei de contar a verdade. Se esse idiota não fosse meu melhor amigo, eu soltava um palavrão cabeludo e virava as costas. Mas é melhor eu fazer. Ele disse que, se eu não aceitar, ele vai criar um personagem e vai escrever como se fosse o personagem. Ou seja, vai fazer exatamente o que eu disse que ele faz de pior, né? De jeito algum. Parece que o Bistrô tá dando certo, não vou deixar ele estragar por minha causa. Se é para o bem de todos e pela felicidade geral, diga a todos que eu vou explanar minha vida na internet. Agora, não se assuste se as pessoas me odiarem. Eu não tenho culpa de quem sou. Quem quiser que me ame.

Beijinhos, Norb, até breve.

PS: Não se zangue, mas isso inclui todo mundo saber de você.

Capítulo 9                                                                                                                               Capítulo 11


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