01 de maio de 2015
Querido Norb,
Tadeu e eu brigamos
hoje. Eu sei que eu gosto muito dele e eu acredito que ele goste muito de mim
também, mas as vezes me irrita muito o jeito dele. Que pessoa mais neurótica.
Não posso fazer nada perto dele. Tudo é perigoso, tudo é prejudicial. Saímos
juntos e tudo o que ele fez foi ficar me regulando.
“Olivia, não corre no
meio da rua!” “Olivia, não fica pulando!” “Olivia, guarda esse celular para não
ser assaltada!” Detesto isso. Deixei ele plantado no meio da rua e voltei para
casa. Não sou de fazer isso, mas ele está merecendo. Eu sou livre, gosto de
pular no meio da rua e correr e gritar. Gosto de fazer tudo o que eu puder e
não ter ninguém dizendo tudo o que eu não posso.
Tadeu é o tipo de
garoto que nasceu para ser controlador. É um garoto atencioso e cuidadoso
comigo, mas tem mania de exagerar e, quando isso acontece, se torna uma pessoa
insuportável, com a qual eu não consigo viver. Odeio as corretes que ele quer
me impor.
Lógico que ele me ligou
muitas vezes. Chegou a bater na porta de casa. Eu pedi para ninguém atender.
Posso até ter dificultado as coisas entre nós, mas acho que a gente precisava
passar por um momento desses. Sei lá. Talvez assim ele entenda o quanto esse
jeito dele me irrita e passe a agir diferente. Ou talvez só seja o fim. Eu sei
que eu vou chorar e molhar suas páginas com meu choro ‒ Peço desculpas por
isso‒ mas talvez seja a única solução para nós dois.
Vou tentar ligar para
ele amanhã, quando acordar. Se ele atender, podemos até conversar. Senão, bem,
eu te conto depois...
Se Tadeu terminar
comigo, vou estar sozinha de novo. Tirando ele, não tenho ninguém. Ok. Sempre
terei você, Norberto, comigo, mas, lá no fundo, não é a mesma coisa. Nos
falamos depois, agora é hora de dormir.
Boa Noite.


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