09 de maio de 2015
Olá, caderninho. Não se preocupe, não estou no mesmo estado de antes. Já respirei, já estufei o peito e estou pouco me ligando para as dores. Sabe, aquele meu talento de ignorar que está pesado e continuar andando com um sorriso no rosto. Não ligo mais para essas coisas de "narcisismo" e tal... Bem, ao menos até eu refletir novamente sobre. Vou sair desse assunto, hoje quero falar sobre algo diferente.
Eu estava no ônibus vindo para casa, no mesmo lugar de sempre. Sabe, na fileira da esquerda, banco da janela, segundo par de assentos depois dos elevados por conta da roda traseira. Estava observando a paisagem. Já eram 18:30, e eu passei pelo mesmo trecho familiar de sempre: Uma parede longa e branca, com "Seja meu escudeiro, mas não me faça de escudo" pichado na diagonal, de baixo para cima. Como sempre, refleti por um tempo sobre aquilo, me perdendo em meus pensamentos. Então voltei para a realidade com um susto, quando ouvi um "licença" vindo da minha direita. Não sei o que aconteceu, mas aquela voz gelou a minha barriga inteira. Aquele foi o "licença" mais lindo que eu já ouvi. Pior ainda foi quando tomei coragem de virar para ver a origem da voz.
Lá estava ela. Pele pálida, lisa e delicada. Cabelos loiros e curtos, bem curtos. Olhos azuis profundos, como se houvesse topázio líquido dentro daquelas pérolas hipnotizantes. Ela dava um meio sorriso, mostrando um pouco de seus dentes. Um sorriso de cortesia e simpatia, como o que se dá por educação. Tinha por volta dos dezoito, assim como eu. Ela provavelmente me achou estúpido, e com razão. Fiquei uns três segundos em choque, perdido naqueles olhos. Até que raciocinei um pouco e gaguejei um "claro", chegando mais para a janela em seguida.
O resto da viagem foi um sufoco. Nossa... Como eu fiquei tenso. Queria puxar assunto, mas não conseguia. E foi assim, ela olhava para mim, ria da minha vergonha (talvez) e quando ela virava o rosto eu olhava para ela. Nunca deixava nossos olhares se cruzarem. Como assim? Como é que eu senti tanta vergonha? Digo, eu sou SEM VERGONHA! EU CONTO PIADAS! ME FAÇO DE PALHAÇO! E lá, do lado de uma garota baixinha e meio estranha eu estava todo encolhido e paralisado. E então chegou aquele momento que sempre há de chegar. Todos passamos por isso. Ela se preparou para levantar do assento. Eu já sabia de tudo. Sabia que ficaria me martirizando por não ter puxado assunto, e faria isso pelo resto da viagem. Ela se levantou e eu voltei a encarar a janela. Soltei o ar que prendi durante todo esse tempo, e balancei a cabeça negativamente, mais uma vez decepcionado comigo. Então eu senti um toque gelado no queixo. Minha cabeça foi puxada para direita e meus lábios foram pressionados por uma superfície macia. Meu peito quase explodiu. Passei o tempo todo de olhos abertos, em pânico. Mas só fui perceber o que via depois de três segundos daquele macio, suave e estático beijo. Vi aqueles olhos azuis em frente aos meus, se abrindo lentamente. Ela afastou o rosto, riu de canto e sumiu. Foi até a saída e saltou do ônibus sem olhar para trás. Eu admito que demorei alguns segundos para entender o que havia acontecido, e mais alguns minutos para perceber que ela tinha deixado um papel dobrado na minha mão direita.
Caderninho... Eu vivi uma cena de livro! E cara! Ainda nem sei se compreendi o que aconteceu! COMO ASSIM? Olha, quando cheguei em casa eu guardei o papelzinho dentro de uma caixa bem escondida. Nem tive coragem de ler o que tinha la dentro!
Olha! Estou com o maldito frio na barriga até agora! Sei que não vou dormir, mas preciso fazer alguma coisa, nem que seja tocar violão. É isso, vou compor uma musica sobre a aleatoriedade da vida. Nada mais justo. CARACOMOASSIMQUEISSOACONTECEUCOMIGO?COMOPODE?SERÁQUETODOENTEEUNÃOSEI!!!!!!
OLHA EU SURTANDO NOVAMENTE!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!
Tenho que ir antes que eu exploda, tenho que arejar a cabeça!
Beijos suaves para você. Ah, pera... Você não tem boca! (chora)
Fui!


Eu tava super me identificando com Mauricio, que vacilo.
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