sábado, 25 de abril de 2015

Capítulo 2: Mudança?




25 de abril de 2015

Olá.

Eu estava louco para te mostrar o meu lado engraçado e extrovertido, mas você é diferente. Eu costumo estar sempre sorrindo, e sempre dizendo coisas positivas... Mas não dá.

Por favor... Não revele isso para ninguém, mas eu estou começando a desacreditar em tudo o que eu disse. Eu vivo dando forças para todos os meus amigos e até apenas "conhecidos". Vivo sorrindo e dizendo que o que desce, acaba subindo. Vivo chutando para frente essa minha regrinha de que qualquer melancolia pode ser combatida com um sorriso. Nunca me deixei abaixar a cabeça, muito menos pensar negativo, mas essa carga é MUUUUUUITO pesada. Me machuco muito. Ignoro muitas dores para estar aonde estou, e constantemente a vida tenta me jogar para baixo. Agora, por exemplo, eu estou com muita raiva.

De quem?

Mas isso é óbvio. Da única pessoa que eu me deixo guardar mágoa. DE MIM!
Eu me irrito com o meu ego.
Veja bem... Aqui estou achando que sou o farol que ilumina a vida das pessoas. Que todos que fazem parte do meu ciclo de amigos dependem fortemente de mim. E pior, já faz mais de uma semana que nos conhecemos e eu nem me apresentei! É só EU, EU, EU, EU e EU!
Me deixe dar um reset na nossa amizade, não quero te afastar.

Olá, meu nome é Mauricio Ettore. Tenho 18 anos e um complexo de Narciso.

Tá, estou sendo muito rígido comigo. Não chego a ser narcisista. Mas sei que sou orgulhoso, exigente, tenho um ego nada agradável (que felizmente guardo dentro de mim), e acho que tenho algum transtorno bipolar e/ou de personalidade.

Sabe, caderninho, passo a vida inteira tentando me fazer ser herói. Vivo entrando em conflito, procurando ser "bom" acima de tudo. Sorrio para todos, sou gentil com todos e tenho orgulho disso. Mas tem vezes que essa minha cabeça começa a soltar faíscas, feito um robô de sci-fi num conflito com as três diretrizes (qual é, você conhece as 3 diretrizes, né?).
Se nem a filosofia pode definir o real certo e o real errado, quem sou eu para estar sempre acertando? E eu realmente acho que sempre faço o certo! Como se cada escolha minha fosse um passo a mais para o céu. Você pode observar que só nesse texto aqui eu provavelmente já tenha me referido a mim como "sempre certo" algumas vezes.

Ah... Agora eu me arrependo de ter te contado tudo. Normalmente quem conhece esse meu lado conflituoso se afasta com o tempo. Acho que todos procuram o herói que eu tento ser, mas quando serei? Será que serei?

Eu sei, eu sei... Você quer saber o por que de eu continuar insistindo nessa imagem e não me mostrar de verdade para os outros. Veja bem, é simples. Essa imagem faz parte de mim. Um lado meu gosta do que faço, se sente bem com isso. Fora que todas as minhas esperanças, desculpas e argumentos estão delicadamente equilibrados nessa minha visão de mundo. Se eu mudo, tudo o que me fortalece vai cair no chão. Todas as edificações morais que eu criei vão se tombar. Sei que posso e devo estar sozinho nessa luta pela bondade em meus atos, mas se sou o último, vale a pena extinguir essa raça de sonhadores gentis?

Eu tenho duas opções:

1- Admito derrota. Largo todos os pesos no chão e mudo minha maneira de pensar e agir. Não darei mais lugares no ônibus, muito menos emprestarei meus ouvidos para todos que precisarem. Passarei a precisar de alguém como eu sou agora para me apoiar, ou entrarei em uma espiral de depressão (é possível que não tenha ninguém, já que provavelmente sou o último).

2- Continuo otário e bondoso. Continuo olhando para os céus esperando que meus sonhos sejam reais e que exista mais gente como eu. Continuo lutando e carregando esse peso até o final do mundo. Até sucumbir com os pesos ou milagrosamente chegar aonde preciso.

É claro que escolho a 2! Sem pensar mais de uma vez! Minha cabeça e coração não me deixariam escolher outra. Posso ser o último que pensa assim, o último que vê assim, mas prefiro acreditar que em alguma hora o peso vai diminuir ou que encontrarei alguém para dividir comigo. 

Bobo, né? Mas não consigo ser de outra forma.

Obrigado por me emprestar seus ouvidos, mas agora tenho que ir. Estou mais leve, graças a você.
Mais uma vez, muito obrigado.

Fui.

Capítulo 1                                                                                                                         Capítulo 3


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